Cidade de prefeito que recebeu pedido de propina em ouro abriga garimpos ilegais no MA

O prefeito Gilberto Braga (PSDB) ganhou destaque após afirmar que um pastor que integra um gabinete paralelo no MEC ter pedido a ele propina de um quilo de ouro.

Em uma região cercada de garimpos ilegais, Luís Domingues, cidade com 7 mil habitantes no interior do Maranhão, ganhou destaque nacional após o prefeito, Gilberto Braga (PSDB), afirmar que um pastor que integra um gabinete paralelo no Ministério da Educação (MEC) ter pedido a ele propina de um quilo de ouro em troca da liberação de recursos.

Localizado a 230 km da capital, São Luís, o município tem uma área urbana com poucas ruas, ladeadas por casas simples e comércio local. Ao todo, segundo a prefeitura, pouco mais de 2 mil alunos estudam em sete escolas públicas, sendo seis municipais e com estruturas ainda dos anos 1970.

Os recursos pleiteados ao MEC seriam para a construção de escolas e creches e outras atividades relacionadas à educação.

Parte da população vive da extração ilegal do ouro, que marca a paisagem, desmatada para a atividade, com escavações e a formação de lagoas, causando danos ao meio ambiente. A região também é conhecida pela produção de açaí.

Pedido de propina
O pedido de propina relatado por Braga teria sido feito por Arilton Moura, um dos pastores que teriam interferência na distribuição de verbas da Educação, foi revelado pelo prefeito ao jornal "O Estado de S.Paulo".

Moura é também um dos citados pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, em um áudio, obtido pela "Folha de S.Paulo", sobre um pedido do presidente Jair Bolsonaro para favorecer as indicações de pastores para aplicação de verbas públicas.

Natural de Bragança (PA), Gilberto Braga tem 44 anos e está no seu segundo mandato à frente da gestão municipal. Foi eleito em 2020 com 60,38% com 2.746 votos válidos. Na época das eleições, Gilberto Braga não declarou nenhum bem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).