Confira os detalhes da "Operação 5ª Potência" deflagrada em prefeituras do Maranhão

Investigações apontam desvios de cerca de R$ 3,8 milhões

A Polícia Federal deflagrou Nesta quarta-feira (23), a "Operação 5ª Potência", nas cidades de São Luís, Pinheiro, São Bento e Peri-Mirim.

PF investiga desvio de verba da merenda escolar em três prefeituras do MA; esquema criminoso desviou cerca de R$ 3,8 milhões — Foto: Divulgação/Polícia Federal

(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

De acordo com a PF, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, em endereços comerciais e residenciais de agentes políticos na cidade de Pinheiro e Peri-Mirim, ex-agentes políticos do município de São Bento, sede de Associações de Agricultura Familiar da Baixada Maranhense, além de endereços residenciais e comerciais de pessoas ligadas a empresas de São Luís.

PF investiga desvio de verba da merenda escolar em três prefeituras do Maranhão; esquema criminoso desviou cerca de R$ 3,8 milhões — Foto: Divulgação/Polícia Federal

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Segundo a PF, o grupo criminoso se aproveitou da determinação contida na Lei 11.947/2009, a qual prevê que, do valor total repassado pelo FNDE aos entes públicos para custeio do PNATE, pelo menos 30% deve ser utilizado na compra de gêneros alimentícios diretamente da agricultura familiar e do empreendedor familiar rural local.

PF investiga desvio de verba da merenda escolar em três prefeituras do MA; esquema desviou cerca de R$ 3,8 milhões — Foto: Divulgação/Polícia Federal

(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

No entanto, as entidades contratadas, mediante Chamadas Públicas fraudadas e direcionadas, eram geridas na realidade por agentes públicos, que fazem parte do esquema, e não possuem a mínima capacidade econômica e operacional para o fornecimento da absurda e desproporcional quantidade de alimentos declarados nas notas fiscais e nos contratos.

PF investiga desvio de verba da merenda escolar em três prefeituras do MA; esquema criminoso desviou cerca de R$ 3,8 milhões — Foto: Divulgação/Polícia Federal

Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Polícia Federal destaca que, em apenas um ano, a Associação Rural contratada declarou o fornecimento (já no final do ano letivo) de:

  • 420 kg de alface
  • 200 kg de cheiro verde
  • quase 35 mil unidades de pão caseiro
  • 350 kg de erva vinagreira
  • 40.600 unidades de banana, etc.

Durante as investigações se apurou que essa quantidade de alimentos era inviável de ser produzida no local e desproporcional à quantidade de alunos matriculados.

PF investiga desvio de verba da merenda escolar em três prefeituras do MA; esquema criminoso desviou cerca de R$ 3,8 milhões — Foto: Divulgação/Polícia Federal

 Foto: Divulgação/Polícia Federal

Ainda no desenvolvimento da investigação, a PF constatou fortes indícios da existência de fraude e desvio, também, na aplicação da outra parte dos recursos da Merenda Escolar (70%). Foi identificado o repasses de valores das prefeituras para empresas de fachada sediadas em São Luís.

Análises financeiras e Laudos Periciais realizados com base na movimentação bancária dos investigados, permitiu verificar que os recursos repassados para Associação de Agricultores e empresas de fachada foram quase que completamente desviados para agentes políticos investigados e empresas/pessoas sem relação com o fornecimento de merenda escolar, como construtoras, mini-mercados, organizadoras de eventos, ‘limpa fossas’, etc.

Os contratos firmados pelas principais Associações Rurais investigadas, com indícios de desvio da quase totalidade dos valores recebidos, somam, apenas com as três prefeituras investigadas e no período de 2018/2021, cerca de R$ 3,8 milhões.

Os investigados foram indiciados nos autos do Inquérito pelos delitos de:

  • fraude à licitação (Arts. 89 e 90, da Lei 8.666/93)
  • desvio de recursos públicos de prefeitos (art. 1, inciso I do Dec. Lei 201/67)
  • lavagem de dinheiro (art. 1º - Lei 9.613/1998)
  • associação criminosa (art. 288, CP)
  • peculato (art. 312, CP)
  • corrupção ativa (art. 333, CP).

A soma das penas ultrapassa os 30 anos de reclusão.

Segundo a PF, a operação foi denominada de '5ª Potência' em referência a operação matemática ensinada nas escolas, que representa a multiplicação de fatores iguais várias vezes, se chegando a valores exponenciais, do mesmo modo como as exorbitantes quantidades de alimentos superfaturadas e em sua maioria não fornecida pelas entidades de fachadas para as escolas municipais.

As prefeituras de Pinheiro, São Bento e Peri-Mirim ainda não se manifestaram sobre a Operação;